Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso critica financiamento público à Savannah Resources

A Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) manifestou-se esta quarta-feira, 21 de janeiro, contra a decisão do Governo de atribuir financiamento público à Savannah Resources, empresa responsável pelo projeto da Mina do Barroso, no concelho de Boticas, considerando que se trata de uma “grave perversão do interesse público” e uma ameaça a uma região classificada como Património Agrícola Mundial.

Em comunicado, a associação refere que o financiamento por parte do Estado Português de 110 milhões de euros, através da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), será atribuído ao projeto promovido pela empresa Savannah Resources, através de fundos nacionais enquadrados no Quadro Temporário de Crise e Transição da Comissão Europeia, o que, segundo a UDCB, legitima uma iniciativa privada “contestada a nível local, nacional e internacional”.

A associação recorda que o próprio Ministério Público defendeu a nulidade da Declaração de Impacte Ambiental do projeto mineiro e sublinha ainda as conclusões do Comité da Convenção de Aarhus, que considerou que a consulta pública “violou direitos fundamentais de participação”, bem como a existência de estudos técnicos que apontam “lacunas graves” na avaliação ambiental do projeto.

“Os estudos independentes têm sido claros. As avaliações ambientais foram apressadas e superficiais e não dão conta dos impactos desta mina”, afirmou a UDCB em comunicado.

“Como é que o Governo quer financiar um projeto desta dimensão quando não conhece os riscos para o ambiente e para a saúde da população local? É uma irresponsabilidade”, questionam.

Para a associação, o futuro do Barroso deve assentar na valorização do seu estatuto de Património Agrícola Mundial e no investimento numa economia local sustentável, rejeitando um modelo de desenvolvimento que, afirma, “sacrifica comunidades que mantêm relações responsáveis com a terra”.

A UDCB critica ainda a opção governamental de investir num projeto mineiro numa região que enfrenta “carências significativas” ao nível dos serviços públicos essenciais, nomeadamente na saúde e na educação.

“Não temos um hospital ou uma escola secundária por perto. A maternidade mais próxima fica a uma hora e meia de carro. É um abandono”, disse Maria Loureiro, agricultora de Romainho, citada em comunicado.

“O que temos vem de uma vida inteira a trabalhar, sem ajudas. E agora querem-nos tirar tudo. Mas nós não vamos ceder. Vamos lutar contra isto até ao fim”, acrescentou.

A associação considera que uma transição energética “imposta contra as populações” e à custa do ambiente cria “precedentes antidemocráticos preocupantes” e acusa o Governo de proteger interesses privados em detrimento dos direitos das comunidades locais.

Segundo a UDCB, a associação continuará a desenvolver ações para travar o projeto da Mina do Barroso, defender os direitos das populações e salvaguardar o património comum da região.

A mina do Barroso, em Covas do Barroso, obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) condicionada em 2023, e a Savannah prevê iniciar a produção em 2028. O projeto está classificado como ‘Projeto Estratégico’ ao abrigo do Ato Europeu das Matérias-Primas Críticas e continua a ser contestado por várias associações, população, ambientalistas e autarcas.

 

Sara Esteves

Foto: DR


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21/01/2026

Sociedade

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